Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério da Economia, em 2020 cerca de 140 mil novos empregos foram cadastrados com carteira assinada.

Entretanto, mais da metade são de vagas intermitentes, ou seja, não tem jornada e nem salários fixos. Em 2017 a Reforma Trabalhista foi aprovada logo após o golpe e colocou em prática esta modalidade que soma mais de 230 mil postos de trabalho.

É importante não nos enganarmos com estes números: hoje, no Brasil, a taxa de desemprego está em 14,1%. De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a renda gerada por estes vínculos intermitentes é baixa, cerca de 637 reais pela remuneração média mensal. Dentre os 157 mil vínculos intermitentes de dezembro de 2019, 44% receberam renda inferior a um salário mínimo naquele ano (998 reais).

No ano passado, o número de empregados na informalidade (sem carteira assinada) subiu 11,2% no último trimestre do ano em relação ao trimestre anterior. Quase 10 milhões de pessoas estão na informalidade hoje no Brasil, de acordo com o IBGE. Como muitos coachs gostam de dizer: os chefes de si mesmo.

Fernanda Sousa Duarte, doutora em psicologia do trabalho (UnB e Universidade de Amsterdã) afirma que, dentro do sistema capitalista e ainda com mais força agora, ser o empresário de si mesmo mostra a culpabilização do trabalhador e a falta de responsabilidade do Estado. São 14 milhões de pessoas desempregadas no Brasil.

Fonte: DIEESE, Esquerda Diário, Folha de S. Paulo, UOL
Foto: Camila Domingues