Na última quarta-feira (26), a 11ª rodada de negociações entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e os bancários não trouxe aumento real para a categoria, uma das reivindicações da Campanha Nacional 2026. Na ocasião, a Federação voltou a propor os mesmos índices, que mantêm perda de 1,50% na remuneração e trouxe oferta de perda real no vale alimentação.
Com a recusa do Comando Nacional, as negociações seguem ocorrendo, com foco no reajuste real dos bancários. “O que exigimos é aumento real, com base no INPC, nos salários, nas demais verbas e maior distribuição da PLR. Isso é o básico!”, replicou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários.
Entre as propostas levadas à mesa de negociação pelos banqueiros estão reajuste linear de 2,57% para salários, demais remunerações e auxílios, com o mesmo percentual valendo para o texto da regra básica do PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e para o vale-alimentação, este com estimativa de chegar a 2,99% na data-base de 1º de setembro.
Para o Comando Nacional, as propostas seguem aquém do que a categoria precisa para repor suas perdas. “Na negociação anterior eles haviam congelado a PLR. Nesta, propuseram reajustar apenas o teto da regra básica, o que continua prejudicando a maioria dos trabalhadores, com índice sem aumento real. Exigimos melhoras na parcela adicional, de modo que valorize a PLR de todos os bancários e bancárias”, reforçou Juvandia.
Setor mais lucrativo
Ainda segundo os trabalhadores, o que o setor mais lucrativo do país está propondo aos seus trabalhadores é um reajuste inferior a 1% do lucro total que atingiu no ano passado, de 182 bilhões de reais. “O salário da categoria perdeu poder de compra nos últimos 12 meses. O poder de compra do VA e VR, que teve uma perda enorme durante o governo Bolsonaro, até hoje não foi recomposto. O percentual de lucro distribuído com a PLR é reduzido a cada ano. Não podemos aceitar uma proposta sem aumento real para salários e todas as demais verbas, sem valorização da PLR, do VR e do VA”, destacou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.
Você precisa saber
CUT faz resgate histórico da participação das mulheres nos 40 anos da central sindical – A liberdade de escolha, a igualdade no trabalho, nos espaços sociais e nas instâncias de poder são os valores norteadores da luta das mulheres no sindicalismo. Aquelas ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT), lutaram, historicamente, por pautas como “Creche para todos” – que pedia atenção aos cuidados com as crianças enquanto as mães trabalham, no fim dos anos 1980. A defesa da creche não se limitava à abertura de vagas, ia além na reivindicação de equipamentos públicos, gratuitos, de qualidade e em período integral. A partir dessa luta, vieram outras como aquelas em que as mulheres levaram os direitos sexuais e reprodutivos para os congressos da CUT, em 1991; pela redução da jornada de trabalho, ampliada mais recentemente com a tomada de consciência pelo fim da escala 6×1 sem redução salarial; e pelo fim da violência contra as mulheres. “A jornada de trabalho total, ou seja, a jornada remunerada somada à jornada não remunerada, é muito maior para as mulheres. Por isso a redução é fundamental, especialmente para quem vive dupla ou até tripla jornada”, afirmou a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, em entrevista publicada pela Central. Em maio de 2026, a CUT lançou a Campanha Permanente da CUT de Combate ao Feminicídio “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”. A iniciativa busca transformar o combate ao feminicídio em parte da atuação cotidiana dos sindicatos, não apenas em uma mobilização realizada em datas específicas. “Não há projeto sindical transformador se as mulheres não estiverem protegidas dentro da própria organização”, afirmou Amanda Corcino durante a apresentação da política interna.
Droga Raia é condenada a pagar 4 milhões por casos de assédio sexual, moral e materno – Uma série de casos envolvendo a Droga Raia causaram a condenação da empresa em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ). A rede de farmácias deverá pagar 4 milhões por dano moral coletivo, segundo decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Entre as situações estão casos de assédio sexual, moral, materno e práticas discriminatórias relacionadas à raça, orientação sexual, identidade de gênero, aparência física, incluindo gordofobia. Em um dos relatos, uma trabalhadora alega ser vítima de assédio sexual, no qual um superior hierárquico escorregou suas mãos em direção ao seu seio, e também de assédio materno, no qual uma gerente mandou uma gestante “comprar todos os anticoncepcionais e fazer um estoque de camisinhas para parar de engravidar”. Outro empregado foi vítima de homofobia, quando escutou que “se o seu pai não te ensinou a virar homem, eu vou te ensinar”. Uma vigilante foi chamada de gorda e ouviu que não poderia exercer sua função em razão de seu peso. De acordo com a decisão, a Droga Raia deverá adotar medidas para combater essas práticas em todas as suas filiais e terá 90 dias para adequar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), incluindo ações para identificar, avaliar, acompanhar e prevenir riscos psicossociais no trabalho, com protocolos de escuta qualificada e atenção às questões de gênero.
Análises
A estratégia Trump de negociação coletiva no setor bancário
Por Antônio Vicente Martins, do escritório AVM Advogados
O artigo do sócio do AVM Advogados critica a estratégia da federação dos bancos (Fenaban) nas negociações coletivas com os bancários, comparando-a às táticas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conhecido por utilizar ameaças, má-fé e criação de conflitos artificiais para simular falsas concessões. Em resposta a essa postura, o texto destaca que a paralisação dos trabalhadores surge como uma resistência necessária em defesa de um diálogo pautado pelo respeito e pela transparência. Continue lendo
Antes de sair…
Eventos
- Na próxima semana, nos dias 9 e 10/9, a Rede Lado promove o seminário “IA generativa e os impactos no mundo do trabalho”, em São Paulo. As inscrições estão abertas no site Sympla.
- A quarta edição da Regulation Week reúne especialistas, líderes governamentais, juristas e profissionais dos mais diversos setores regulados em torno dos principais aspectos da regulação nacional a partir do dia 31/08.
Dicas culturais
- Cinema: diretor Jorge Furtado volta à comédia com o filme “Muito Prazer”, estrelado por Luisa Arraes, Daniel de Oliveira e Samantha Jones.
- Show: Ney Matogrosso anunciou turnê “85 Anos de Ousadia”, com dez apresentações pelo Brasil a partir de janeiro de 2027.
- Música: voltado ao público jovem, álbum “Chico. 2.0” reúne rappers, trappers e funkeiros para adaptar o cancioneiro de Chico Buarque para a linguagem da música urbana contemporânea.
Empresa brasileira fabricará primeiro curativo com pele de tilápia
Uma tecnologia que nasceu de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) será usada para fabricação em larga escala de curativos feitos com pele de tilápia para uso médico. A primeira fábrica do mundo voltada ao processamento do material é brasileira e será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial de 52 milhões de reais. O produto, geralmente descartado pela indústria, será transformado em um curativo biológico potente, usado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O projeto industrial é conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical. Entre as vantagens do uso da pele de tilápia estão a redução no número de trocas de curativos, procedimentos que podem provocar dor e exigir uso de medicamentos fortes para os pacientes; e uma redução de 52% nos custos totais do tratamento de queimaduras em comparação com o método convencional. Além dos benefícios médicos, a nova fábrica deve gerar 200 empregos no Ceará e movimentar outros setores da economia da região. A previsão é de que a fábrica entre em operação em janeiro de 2028. Já a produção para uso comercial dependerá das etapas regulatórias e sanitárias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).