Brasil teve alta de 14% no número de greves em 2025 | Rede Lado

Rede Lado

abr 28, 2026

Brasil teve alta de 14% no número de greves em 2025

Os movimentos grevistas tiveram crescimento no ano passado se comparado a 2024: o Brasil registrou 1006 paralisações frente a 880 mobilizações do ano anterior, um aumento de 14%. Os dados…

Os movimentos grevistas tiveram crescimento no ano passado se comparado a 2024: o Brasil registrou 1006 paralisações frente a 880 mobilizações do ano anterior, um aumento de 14%. Os dados fazem parte do balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que mostra, ainda, que a escalada foi puxada pelo setor privado (539 greves, ou 53,6% do total) e pelas empresas estatais. Entre os setores com maior participação nesse montante estão serviços (69,4%), em especial transportes (24%) e turismo e hospitalidade (22%).

Entre as motivações para os movimentos grevistas, a maior parte (86,8%) se concentrou em reivindicações ligadas ao descumprimento de direitos, como atrasos em salários. Do total nacional de greves, 35% reivindicaram reajuste salarial e 24% pediam melhores condições de trabalho. “Se a economia vai bem e as empresas estão crescendo, trabalhadoras e trabalhadores também querem a sua parte. Isto significa não apenas aumento real nos salários, mas condições dignas de trabalho, sem exploração ou adoecimento. É o caso do fim da escala 6×1, por exemplo, para trazer mais dignidade à população. Não é possível que as margens de lucro cresçam e quem se esforça todos os dias seja desvalorizado ou não tenha vida além do trabalho”, destacou Ramon Peres, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região.

Para o DIEESE, os números mostram um padrão que vem se consolidando desde 2016: a paralisação tem se tornado recurso extremo de trabalhadores submetidos às formas mais precarizadas de inserção laboral, com menor remuneração, menor qualificação e mais exposição a arbitrariedades patronais. Além disso, observa que as greves cresceram em um período de melhoria nos indicadores econômicos o que, para a economista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Juliane Furno, reforça o entendimento de que a atividade sindical ganha força quando a economia cresce e o desemprego recua.

“Esse estudo mostra duas coisas interessantes: primeiro, reafirma a hipótese de que o movimento sindical tem uma dimensão pró-cíclica com base no ciclo econômico. Quando a economia cresce e o desemprego se reduz, a atividade sindical se fortalece, e isso se expressa no número de greves”, afirma. “Mesmo em um cenário de melhoras no mercado de trabalho, o caráter das pautas é majoritariamente defensivo”, finaliza.

Apoio popular

De acordo com a pesquisa Vox Populi “O Trabalho e o Brasil”, encomendada pela CUT e Fundação Perseu Abramo, com apoio do DIEESE e do Fórum das Centrais Sindicais, entre os 3850 trabalhadores ouvidos, 68% consideram sindicatos importantes ou muito importantes para a defesa dos direitos e a melhoria das condições de trabalho e 70% defendem o direito de greve.

“Os números surpreenderam. Sabíamos que não era o que setores da sociedade afirmavam, que sindicatos não são representativos ou têm legitimidade. Mas a pesquisa mostra que os diferentes segmentos de um mercado de trabalho heterogêneo, com celetistas, trabalhadoras domésticas, autônomos, entre outros, apontam que o sindicato é importante. Mas também que ele precisa estar mais próximo dos trabalhadores”, afirma a diretora técnica do DIEESE Adriana Marcolino.

Você precisa saber

iFood descumpre portaria e não informa valores repassados a entregadores em primeiro dia da nova regra – Uma pesquisa realizada pelo site UOL mostrou que as plataformas de entrega líderes no segmento no país tiveram comportamentos diferentes no primeiro dia de vigência da portaria da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, que as obriga a informarem aos consumidores quanto é repassado a entregadores e motoristas a cada corrida. Enquanto Uber informou qual foi a comissão da plataforma e quanto recebeu o motorista, iFood não repassou os dados ao fim do serviço. Uma das principais concorrentes do iFood, a 99Food também não especificou o valor repassado ao entregador, de acordo com um recibo a que o site teve acesso. De acordo com a Senacon, o governo “irá instaurar procedimento específico de monitoramento para verificar o efetivo cumprimento das obrigações impostas às plataformas” e, caso se constate o descumprimento da portaria, “especialmente a ausência do quadro-resumo com a composição e a destinação do preço pago pelo consumidor”, as empresas podem ser multadas e submetidas a imposição de medidas corretivas previstas no Código de Defesa do Consumidor. A Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo e a ONG Ação da Cidadania criticaram a postura das empresas. “A transparência pode avançar o debate sobre condições mais dignas para os entregadores. Pesquisa que fizemos ano passado mostra que dois terços deles [entregadores] estão em insegurança alimentar”, diz Mariana Macário, diretora de políticas públicas da ONG. Em resposta, a Amobitec, entidade que representa as principais plataformas em operação no país, informou que “as plataformas defendem que atualizações normativas devem respeitar as particularidades operacionais do mercado, a segurança de dados comercialmente sensíveis, essenciais para a livre concorrência, bem como os interesses de motoristas, entregadores e consumidores”.

Boletim do DIEESE mostra saldo positivo nas negociações coletivas no primeiro semestre do ano – O 67º boletim “De Olho nas Negociações”, publicado em abril pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), trouxe dados do primeiro semestre do ano em relação à negociações coletivas, mostrando um saldo positivo. Até 9 de abril, 90,9% dos 2309 resultados registrados tiveram reajustes superiores à variação do INPC no período, número superior aos 76,6% observados nas 12 datas-bases anteriores. Na data-base março, 96,1% dos 407 reajustes registrados resultaram em ganhos acima da variação do INPC e 2,9% foram iguais à inflação. Apenas 1% ficou abaixo dela e o mesmo percentual foi pago de forma parcelada. Entre abril de 2025 e março deste ano, os reajustes escalonados – aqueles pagos em percentuais diferentes de acordo com a faixa salarial ou o tamanho da empresa – foram realizados em 9,1% das negociações. Entre os setores com melhores desempenhos lidera o de serviços, com ganhos reais em 92,6% dos casos, seguido da indústria (90,3%), setor rural (89,1%) e o comércio (83,4%). Já em relação às regiões geográficas, no primeiro trimestre de 2026, o Centro-Oeste lidera os reajustes acima da inflação, com saldo de 94,1% dos casos e também a maior variação real média dos salários no país, com 2,31%. Quando comparados os últimos 12 meses, o Sul fica com a maior incidência de ganho real nas negociações (81,2%) e maior variação real média foi no Sudeste (0,95%). Em relação aos valores dos pisos salariais, no início de 2026, a média registrada no país foi de 1846 reais e nos últimos 12 meses o total chega a 1913 reais. O maior piso médio de 2026 foi encontrado nos serviços e no setor rural: 1885 reais e, nas últimas 12 datas-bases, serviços pagaram 1960 reais em média. Os maiores valores médios de 2026 estão no Sul (1.952 reais) e, no acumulado de 12 datas-bases, o Sudeste registra o maior piso médio: 1956 reais.

Análises

CEF: pagamento de indenização por prejuízos no cálculo da complementação de aposentadoria

Por escritório CCM Advogados

Artigo comenta decisão recente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que reconheceu existência de prazo para que aposentados da Caixa Econômica Federal busquem o pagamento de indenização por prejuízos no cálculo da complementação de aposentadoria. O texto explica a quais casos se aplica a situação. Continue lendo

Antes de sair…

Eventos

  • 30 Anos da Lei de Propriedade Industrial: Inovação, Tecnologia e os Novos Desafios da Era Digital” é tema de evento virtual no dia 28/4, das 10h às 11h.
  • 8º encontro da série de webinars “Diálogo com Especialistas”, com o tema “Impactos da Reforma Tributária nas Empresas: Governança, PMO e Implementação na Prática”, ocorre em 28/4, às 19h, via Zoom.
  • Seminário on-line “Direito e Relações Governamentais em Tempos de Crise Sistêmica” ocorre no dia 30/04, às 10h.

Dicas culturais

  • Cinema: filme “Caso 137” inspira-se em um episódio verídico em Paris.
  • Música: banda Foo Fighters lançou na última sexta-feira (24), seu 12º álbum “Your Favorite Toy”.
  • Podcast: programa brasileiro “Não Inviabilize” é o único representante brasileiro na lista dos 20 podcasts mais ouvidos de todos os tempos no Spotify.

Fórmula 1 tem primeira mulher pilotando um carro da categoria em 50 anos

A equipe Mercedes teve a primeira mulher pilotando um carro de Fórmula 1 na história da competição. A francesa Doriane Pin, de 22 anos, participou de um teste com um carro da escuderia no circuito Nacional de Silverstone Circuit, na Inglaterra, quando correu 76 voltas na pista usando o mesmo modelo que levou a equipe a conquistar o título de construtores em 2021. Apesar de parecer apenas um teste, o feito de Doriane é mais um passo importante no caminho para uma maior participação feminina na modalidade, que não tem uma piloto no grid há quase 50 anos. O histórico da francesa nas corridas de carro inclui a vitória na última temporada da F1 Academy, campeonato criado para abrir mais espaço para mulheres no esporte, e também a participação no time da Mercedes como piloto de desenvolvimento, colaborando nos testes, análise de desempenho do carro e bastidores. “Foi uma oportunidade única e fiz questão de aproveitar o dia ao máximo, além de realizar o melhor trabalho possível”, disse Doriane. Para o consultor da Mercedes, Gwen Lagrue, a participação de uma mulher na equipe principal é apenas uma questão de tempo. “Tenho certeza de que veremos uma mulher correndo na Fórmula 1 nos próximos anos, e, como equipe, ficaríamos extremamente orgulhosos se conseguíssemos alcançar esse objetivo com alguém do nosso time”, afirmou.