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Vagas exclusivas para pessoas racializadas: a lei permite?

Nas últimas semanas, o anúncio de uma vaga de emprego para assistente de roteiro do podcast Não Inviabilize causou comoção entre brancos e bolhas bolsonaristas. O absurdo? A contratação era exclusivamente voltada a candidatas mulheres (cis, trans ou travestis) negras, pardas ou indígenas. Também eram aceitas pessoas com deficiência.

No entanto, o principal argumento de quem costuma usar a Constituição como escudo para a perpetuação de seus preconceitos não procede: a lei permite, sim, a realização de processos seletivos exclusivos com reservas de vagas para pessoas racializadas. Esta garantia faz parte do Estatuto da Igualdade Racial, segundo o qual promover vaga de emprego com ações afirmativas é uma forma de combater a discriminação racial, já que as populações negra, parda e indígena são as mais vulnerabilizadas no Brasil. O entendimento é seguido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

A vaga temporária em regime de MEI ou CNPJ duraria quatro meses com salário de 5 mil reais, mais bônus de 2 mil reais no final do contrato. Cerca de 60 currículos chegaram a ser enviados com interesse no trabalho, incrivelmente a maioria deles era de pessoas brancas. No entanto, menos de um dia depois no início do anúncio, a roteirista e podcaster Déia Freitas, criadora do Não Inviabilize, perdeu o acesso ao email em que receberia as mensagens, em uma ação que parece ter sido uma série de tentativas de login.

“Não tem cabimento isso, por que eu tenho que abrir essa vaga para pessoas brancas? Quero dar oportunidades agora que eu tenho essa possibilidade”, afirma. “Não estou tirando as chances de ninguém, mas quero dar chance para quem nunca tem nada.”

Mesmo com a onda de ódio, que chegou ao Twitter de Freitas, a seleção seguiu exatamente com os mesmos critérios do anúncio original, com prazo de envio finalizado no último domingo (16).

Trainee para negros e negras

A iniciativa de Freitas, felizmente, não é a primeira, ainda que a quantidade de ações no país (e no mundo) esteja aquém do necessário para garantir acesso igualitário a essas minorias no mercado de trabalho. Desde 2020, por exemplo, a varejista Magazine Luiza oferece um programa de trainee voltado exclusivamente a profissionais negros e negras.

A exemplo do que ocorreu com o Não Inviabilize, o critério de participação também causou indignação entre brancos que se sentiram “discriminados” pela empresa. O caso chegou ao MPT em São Paulo, que confirmou o entendimento de que a iniciativa, além de não ser uma violação trabalhista, trata-se de ação afirmativa de reparação histórica. O objetivo da varejista era garantir a diversidade racial em seus cargos de liderança. Apesar da pressão que sofreu em sua primeira edição, que recebeu mais de 22 mil inscrições e contratou 19 trainees, a empresa voltou a abrir inscrições em setembro do ano passado para o treinamento que selecionará entre 10 e 30 candidatos agora em 2022 nas áreas de e-commerce, comercial, financeiro, logística e marketing.

Você precisa saber

Novo protocolo do CNJ quer reduzir desigualdades de gênero no Judiciário

Um documento lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de acabar com preconceitos de gênero e discriminações contra mulheres durante julgamentos foi lançado em audiência pública na Câmara dos Deputados. Intitulado Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero, o documento é um guia que orienta sobre como reduzir desigualdades em todas as etapas dos processos e evitar perguntas e palavras de revitimizam ou expõem mulheres. Ainda levanta questões relacionadas a gênero em todas as categorias da Justiça e do Direito.

Pesquisa revela que 68% dos trabalhadores desejam mudar de emprego

Mais de dois terços dos trabalhadores do país que participaram da pesquisa feita pela empresa de recrutamento Robert Half querem mudar de emprego. Desses, 37% não querem se manter na mesma empresa e 31% contentam-se com uma troca de área atrás de melhores salários.

No Brasil, a renda média dos trabalhadores é de 2.499 reais por mês, quando seriam necessários quase 6.000 reais para atender às necessidades de uma família de quatro pessoas, segundo o Dieese. Entretanto, o descontentamento no mercado de trabalho vai além da remuneração: 12,1% sequer têm emprego, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua) realizada no penúltimo trimestre de 2021.

Análises

O breque foi brecado no Congresso

Por Fernanda Teodora Sales de Carvalho e Ricardo Quintas Carneiro, do escritório LBS Advogados

Um ano depois da greve de entregadores de aplicativos, conhecida como “breque dos app”, enfim foi promulgada a Lei nº 14.297/2022, que estabelece condições de trabalho para a categoria para o período pandêmico. O artigo analisa a legislação que deveria proteger esses trabalhadores, mas frustrou expectativas e faz com que o Brasil siga na contramão de outros lugares do mundo, como Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia, onde o reconhecimento de entregadoras e entregadores de app como subordinados às empresas os garante direitos sociais. Continue lendo

Antes de sair…

Eventos

  • Hoje (18/1), às 18h, tem webinar “Paródia e novas formas de expressão em tempos de hiperconectividade”. Precisa se inscrever.
  • Encontro dia 20/01, às 18h, com transmissão online, discute como inovações tecnológicas têm ampliado a inclusão financeira facilitando pagamentos e outras transações.
  • Já na sexta-feira (21/1), às 10h, o debate virtual “Nem negacionismo, nem apocalipse” aborda mudanças climáticas e seus impactos.

Dicas culturais

  • Literatura: como parte das atividades online de verão da Livraria Baleia, de Porto Alegre (RS), de 25/1 a 22/2 ocorrem (re)leituras de “Barba ensopada de sangue”, com Daniel Galera.
  • Infantil: o Itaú Cultural oferece programação especial para o público infantil com aulas de dança, criação, teatro, experimentação musical, além de brincadeiras, tudo online.
  • Performance: oito artistas se apresentam nos dias 22, 23, 29 e 30/1 no evento “Travessias – como permanecemos vivas?”, que aborda a arte como possível elemento de cura do indivíduo e da sociedade.
  • Música: Adele lançou o clipe oficial da música “Oh My God”, do álbum 30, quarto e mais recente trabalho da cantora inglesa.
  • Cinema: Foo Fighters publicou o primeiro trailer oficial da comédia de terror STUDIO 666, filme estrelado pelos integrantes da banda.

Estudantes da UFPE desenvolvem aplicativo que ajuda na comunicação entre famílias e crianças autistas

Nem só de balbúrdia vivem as universidades públicas brasileiras: um aplicativo desenvolvido por estudantes de Engenharia da Computação, Design e Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) promete ajudar familiares e crianças autistas a se comunicarem melhor no dia a dia. Chamado de “Autime” o app foi desenvolvido para o iPad e chamou a atenção da Apple, que selecionou os jovens para participarem do programa Apple Developer Academy.

O aplicativo trabalha com dois perfis: um para os pais, que poderão cadastrar as atividades a serem realizadas pelos filhos, e outro para as crianças, que recebem reforços positivos e motivacionais a cada tarefa concluída. O app será disponibilizado de graça a partir de fevereiro de 2022.

Médicos das UBS’s de SP entram em greve nesta semana contra condições precárias de trabalho

Em assembleia feita na semana passada, médicos das Unidades Básicas de Saúde de São Paulo (Atenção Primária à Saúde) fizeram uma lista de reinvindicações para a Prefeitura da cidade pedindo melhores condições de trabalho.  Os trabalhadores decidiram pela greve que está prevista para começar nesta quarta-feira, dia 19, caso a Prefeitura da capital paulista não atenda aos pedidos nesta segunda-feira (17). Também foi decidido pela categoria estado de mobilização permanente por melhores condições de trabalho. 

A principal reinvindicação é a reestruturação de equipes desfalcadas por conta da Covid-19 e um plano de reposição de funcionários afastados por gripe ou Covid. A lista também inclui a contratação imediata de pessoal para atendimento de síndromes gripais. Profissionais que estão trabalhando aos fins de semana sem pagamento adicional afirmaram que estão exaustos, com cobrança de metas, jornadas intermináveis de trabalho, falta de insumos no local e superlotação. 

A situação se agravou nas últimas semanas com o avanço da variante ômicron e a epidemia de gripe influenza, que levaram ao afastamento de cerca de 1.600 funcionários da saúde municipal, um aumento de 111% em relação ao início de dezembro. 

Fonte: CUT

Vagas de emprego feitas especificamente para pessoas racializadas são legais e importantes

Nesta semana, a roteirista e podcaster Déia Freitas, criadora do podcast Não Inviabilize, divulgou uma vaga de emprego para assistente de roteiro. A vaga era em regime de MEI ou CNPJ, duraria quatro meses e o salário seria de 5 mil reais, com bônus de 2 mil reais no final do contrato. Porém, o anúncio gerou polêmica nas redes sociais pois a vaga era exclusiva para mulheres (cis, trans ou travestis), negras, pardas ou indígenas. Pessoas com deficiência também se encaixavam nos requisitos.

Várias pessoas, em sua maioria pessoas brancas, reclamaram da exclusividade da vaga de emprego ofertada e bolhas bolsonaristas começaram a atacar a podcaster. Até ameaças de processo por “discriminação contra homens e pessoas brancas” foram escritas nas redes sociais. Déia teve o e-mail de recebimento dos currículos suspenso. 

Entretanto, processos seletivos exclusivos com reservas de vagas para pessoas racializadas são plenamente legais. De acordo com o Estatuto da Igualdade Racial, promover vaga de emprego com ações afirmativas é uma forma de combater a discriminação racial, já que a população negra, parda e indígena são as mais vulnerabilizadas no Brasil. Outros tratados do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público do Trabalho também garantem essa prática. 

Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288 de 2010:  

Art. 39.  O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas. 

Déia Freitas conta que recebeu cerca de 60 currículos até a queda do e-mail, a maioria deles de pessoas brancas. Segundo dados do IBGE de 2019, mulheres negras recebem menos da metade do salário dos homens brancos no Brasil. A roteirista continuará com o processo seletivo.  

 

 

Melhor remuneração: 68% dos trabalhadores querem mudar de emprego para receber melhores salários

De acordo com pesquisa feita pela empresa de recrutamento Robert Half mostra que 37% dos trabalhadores pretendem mudar de empresa e 31% quer trocar de área, a principal motivação é a remuneração. 

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua), no penúltimo trimestre de 2021, o índice de desemprego recuou para 12,1%, porém, a renda média do trabalho voltou a cair e atingiu o menor nível em dez ano, R$ 2.499 por mês.  

Segundo o Dieese, o salário-mínimo ideal para atender uma família de quatro pessoas com condições básicas de vida atingiu o valor de R$ 5.969,17. Esse valor subiu 33% por conta da pandemia.

CNJ lança protocolo antipreconceito contra mulheres no Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça lançou o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero durante audiência pública na Câmara dos Deputados. O documento traz orientações para que magistrados não perpetuem preconceitos de gênero e discriminações contra mulheres durante julgamentos.  

O protocolo conta com um guia de diferentes momentos do processo e observações para redução da desigualdade no Judiciário. Também há uma relação de perguntas e palavras que revitimizam ou expõem mulheres. O documento traz questões relacionadas à gênero em todas as categorias da Justiça e do Direito (Penal, do Trabalho, de Família, e etc).  

“No Judiciário, onde a mulher busca a reparação de um mal que lhe foi causado, nos deparamos com a repetição de estereótipos que buscam a justificação do ato de violência”, afirmou Ivana Farina Navarrete Pena, procuradora de Justiça, ex-conselheira do CNJ e coordenadora do grupo de trabalho que elaborou o documento. “Temos consequências de uma cultura machista, patriarcal, opressora. Nessa cultura, a noção prevalecente é a de superioridade para o masculino e inferioridade para o gênero feminino”. 

Leia todo o protocolo clicando aqui

Fonte: CNJ 

“Nenhum princípio de trabalho decente se aplica a essa categoria”, afirma estudo sobre entregadores plataformizados

De acordo com um estudo encomendado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Organização Mundial do Trabalho (OIT), nove em cada dez trabalhadores plataformizados são homens (92%), jovens (abaixo dos 30 anos), pretos ou pardos (68%).  A média mensal de salário destes trabalhadores é de 1.070 reais, que representa um ganho líquido de 5,03 reais por hora trabalhada. 

Outros dados também constam na pesquisa Condições de Direitos e Diálogo Social para Trabalhadoras e Trabalhadores do Setor de Entrega por Aplicativo em Brasília e Recife, que será divulgado inteiramente na sexta-feira, dia 17, às 10h, no Facebook da CUT. A pesquisa da CUT-OIT foi realizada por pesquisadores do Instituto Observatório Social, da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), durante 18 meses. Abrange entregadores do Recife (PE) e de Brasília (DF), com base comparativa nos dados nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A pesquisa foi encomendada com o objetivo de fortalecer a categoria e nortear ações e propostas para melhorar as condições de trabalho dos plataformizados. O estudo afirma que não há nenhum princípio de trabalho decente aplicado à categoria, além de demonstrar haver sim uma relação de subordinação entre patrão e empregado (no caso, da plataforma para com o entregador).  

Fonte: CUT 

Lado a Lado – Miguel Rossetto e o projeto de trabalho no Brasil

Cast Box

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O Do Nosso Lado é o Podcast da Rede Lado sobre assuntos voltados ao Mundo do Trabalho. Um programa dinâmico, cheio de curiosidades e histórias sobre trabalhadores e trabalhadoras, com convidados que fizeram e fazem parte da construção trabalhista no Brasil.

#PILOTO

Bom dia, boa tarde e boa noite, trabalhadores e trabalhadoras! Neste episódio do Do Nosso Lado, trazemos o gaúcho, sociólogo e político, Miguel Rossetto. Falamos sobre a questão trabalhista no Brasil, os anos como ministro, curiosidades pessoais e sobre o mundo do trabalho nos últimos anos. 

Apresentação: Antônio Vicente Martins

Produção, roteiro e edição: Mariana Ornelas 

 

Governo federal estuda 330 mudanças na legislação trabalhista

Trabalhadores no Brasil não têm mesmo um dia de descanso, literalmente. Essa é uma das pelo menos 330 alterações em dispositivos legais que estão no pacote que o presidente Jair Bolsonaro quer propor como uma espécie de nova reforma trabalhista. As mudanças são resultado de um estudo que teria sido encomendado pelo governo ao Grupo de Altos Estudos do Trabalho (GAET), instituído pelo Ministério do Trabalho e da Previdência em 2019. O texto já foi concluído e está sob avaliação.

Entre as pérolas estão a proibição do reconhecimento de vínculo de emprego entre prestadores de serviço e aplicativos; a possibilidade de que o trabalhador tenha jornadas aos domingos com direito a apenas uma folga a cada dois meses neste dia; a responsabilização do empregado, quando treinado e equipado, pela falta de uso do equipamento de proteção individual em caso de acidente de trabalho; previsão de teste de gravidez antes da dispensa da trabalhadora mulher; entre outras medidas que só precarizam ainda mais a relação patrão-funcionário.

As centrais sindicais já se posicionaram contra o estudo, alegando que não houve diálogo entre o GAET e trabalhadores por meio de sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais. “Agora, propõem mudanças imensas na legislação trabalhista, de novo em prejuízo da classe trabalhadora. Ao invés de modernizar estão restabelecendo a mentalidade da República Velha, a perversa lógica escravista, e o predomínio da força ao invés do entendimento nas relações de trabalho”, diz o documento.

Escalada de perda de direitos

Sempre que mudanças são propostas, por parte dos governos, para impactar nas relações trabalhistas, a principal justificativa é a de flexibilizar para aumentar a oferta de vagas de trabalho. Não foi diferente com a reforma que, em 2017, alterou mais de 100 itens da CLT e enfraqueceu as negociações coletivas.

No entanto, quatro anos se passaram sem que as promessas se cumprissem: temos o aumento do trabalho escravo e a explosão do mercado informal com 42,7 milhões de trabalhadores nessa situação, ante os cerca de 36 milhões de antes da reforma. Para completar, a renda média real dos trabalhadores caiu.

“Diversamente, e desassociado do período de pandemia, verifica-se que após o advento da reforma trabalhista foram elevados os números de desemprego e potencializada a precarização e a informalidade do trabalho. Portanto, verifica-se que as alterações promovidas impactaram negativamente as condições de trabalho [e] por consequência a economia do país”, avalia a advogada especialista em Direito do Trabalho Cíntia Fernandes.

“O discurso de necessidade de diminuição dos direitos trabalhistas como única forma de ampliação dos postos de trabalho não se confirmou na prática. As estatísticas demonstram que não ocorreu a criação de novos postos de trabalho de modo expressivo, ou que estes se deram em formas precarizadas, como o contrato intermitente, ou a partir de trabalho autônomo, especialmente por plataformas digitais”, resume o advogado, professor da Universidade Federal do Paraná e Diretor Científico do IEPREV, Marco Aurelio Serau Junior.

Você precisa saber

Ministério Público obtém liminar que obriga Santander a registrar horas extras de funcionários em universidades

Depois de trabalhar o dia todo, funcionários do banco Santander eram obrigados a seguir o expediente em regime de horas extras, após as 18h, em ações de captação de novos clientes e relacionamento com o público jovem dentro de campi universitários. A jornada era imposta pelas chefias como forma de os trabalhadores garantirem seus empregos e não era registrada nem paga.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) obteve liminar contra o Banco Santander S.A., que agora terá que registrar integralmente a jornada de trabalho dos empregados que participarem das chamadas “ações universitárias” e pagar pelo período trabalhado. A multa pelo descumprimento é de 10 mil reais por dia, até o limite do montante da causa, que é de 500 mil reais. A decisão vale em todo o país.

Pesquisa mostra que mulheres sofreram mais danos à saúde mental na pandemia do que homens

De acordo com estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mulheres foram as que sofreram mais danos à saúde mental durante a pandemia. Os dados do Cenário da Covid-19 que faz parte do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (Elsa-Brasil) apontam que elas se sentiram mais isoladas, depressivas, ansiosas e estressadas do que os homens.

Além disso, a sobrecarga no trabalho, com acumulação de tarefas domésticas, fez com que mulheres tivessem mais problemas como insônia e até voltassem a beber ou fumar durante o período. Dos 5 mil participantes, 24% das mulheres indicaram sintomas de depressão, em comparação com 17% dos homens; elas também representam o dobro entre aqueles que declararam sentir ansiedade.

Análises

Sem ter o que comer

Por Vitor Terra de Carvalho, do escritório Machado Silva & Palmisciano Advogados

O texto aborda a questão da insegurança alimentar, que ocorre quando alguém não sabe se vai ter o que comer no dia seguinte. O autor apresenta dados do mapa da fome e insegurança alimentar, e ressalta que trabalhadores passam fome como resultado da falta de políticas públicas adequadas e da própria reforma trabalhista, que acabou precarizando ainda mais as relações de trabalho. Traça, ainda, um paralelo no qual a fome e a falta de emprego levam a um aumento no número de furtos famélicos (de gêneros de primeira necessidade, como alimentos e produtos de higiene básica), que em muitos casos resultam em condenações que custam muito mais ao Estado do que o próprio produto roubado. Continue lendo

Nova reforma trabalhista no prelo – O governo não descansa na perseguição a quem trabalha

Por Meirivone Ferreira de Aragão, do escritório Britto, Inhaquite, Aragão, Andrade e Advogados Associados

A autora explica por que as mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) propostas pelo presidente Jair Bolsonaro são um “novo pacote de maldades” para os trabalhadores, com mudanças que implicam na redução e eliminação de direitos. Entre elas estão a possibilidade do trabalho aos domingos para todas as categorias com previsão de uma folga a cada sete semanas, proibição de reconhecimento de vínculo de emprego entre prestadores de serviço e aplicativos, e a responsabilização do empregado por acidentes decorrentes da falta de uso do EPI. Continue lendo

Antes de sair…

Eventos

  • Hoje, 14/12, às 18h, tem webinar sobre “O sistema interamericano e proteção da institucionalidade eleitoral”. Precisa se inscrever.
  • Também hoje, às 18h, outro webinar fala sobre o “PL 2313 e a importância das opções regulatórias de modelagem das concessões”.
  • Evento virtual discute temas de relevância para a advocacia internacional e suas atuações relacionadas aos Direitos Humanos nesta quarta-feira, 15/12, das 14h às 18h.
  • Ainda na quarta-feira, a partir das 18h, é a vez do debate virtual sobre os aspectos da alta judicialização no setor de saúde suplementar.

Dicas culturais

  • Festival: de 14 a 18/12 o III Transforma – Festival de Cinema da Diversidade de Santa Catarina terá programação híbrida que aborda diversidade sexual, de gênero e da cultura LGBTQIA+.
  • Exposições: o Itaú Cultural oferece a “Experiência virtual” na qual educadores fazem “passeios” online por exposições, ocupações e outros eventos da instituição.
  • Teatro: até 3/1 dá pra assistir online ao espetáculo “Memória do futuro”, de Juliana Notari e Odília Nunes.
  • Podcast: o Programa Interculturalidades, do Museu da UFRGS, aborda a cultura mbyá guarani e a posiciona na História da Arte.

Bibliotecas móveis para crianças voltam a circular por Cabul depois de sumirem com a chegada do Talibã ao poder

Um projeto que é a alegria e a esperança de centenas de crianças afegãs voltou a ocorrer depois de meses de hiato após a ascensão do Talibã, regime fundamentalista que tomou o poder no Afeganistão. A biblioteca móvel é a chance de muitos pequenos e, especialmente, pequenas estudarem em meio ao caos em que o país mergulhou nos últimos tempos, com escolas e orfanatos onde não há bibliotecas e instituições de ensino aceitando meninas apenas em turmas não mistas.

“Estou muito feliz. Vou voltar a estudar com os livros que adoro”, diz Arezo Azizi, uma menina de 11 anos com um livro de matemática nos braços no ônibus que circulou por Cabul com a biblioteca. O projeto é uma iniciativa da organização local Charmagzh, criada por Freshta Karim, uma afegã da universidade britânica de Oxford.

“Perdemos quase todos os patrocinadores depois que o governo foi tomado pelo Talibã”, explica Ahmad Fahim Barakati, vice-chefe da organização sem fins lucrativos, que procura por novos colaboradores para continuar existindo.

Em relatório da ONU com o MPT, mulheres negras têm salário 55,6% inferior ao de homens brancos

O Ministério Público do Trabalho junto da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), divulgaram uma série de vídeos com os índices do relatório sobre igualdade de gênero no trabalho. Os números mostram o retrato do mercado de trabalho brasileiro, traz como o racismo e o sexismo impactam de forma diferente as oportunidades.  

De acordo com Anastasia Divinskaya, representante da ONU Mulheres no Brasil, o discurso da meritocracia inviabiliza a luta por igualdade de gênero e a luta antirracista, perpetuando privilégios e colocando a percepção equivocada de que mulheres não são bem-sucedidas. A série de vídeos traz os índices de que as mulheres recebem 21,2% a menos que homens, mulheres negras recebem um salário 55,6% menor que homens brancos, mulheres ocupam somente 37,4% de cargos gerenciais nas empresas e mulheres negras são apenas 1,6% dos cargos de gerência.  

A procuradora do Trabalho, Valdirene Assis, coordenadora do Fórum Contra o Racismo e uma das idealizadoras da série junto a ONU Mulheres, afirma que é um compromisso do MPT lutar contra o racismo e o machismo, assim como a defesa dos direitos de todas as mulheres. Além dos dados sobre trabalho remunerado, também abordam sobre o trabalho não-remunerado, tratando os estereótipos de gênero e raça que ainda recaem sobre mulheres (principalmente mulheres negras) no que tange o trabalho doméstico.  

Fonte: MPT 

Mulheres sofrem mais danos à saúde mental na pandemia, aponta Fiocruz

De acordo com pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mulheres sofreram mais danos à saúde mental durante a pandemia que homens. Os dados do Cenário da Covid-19 que faz parte do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (Elsa-Brasil) apontam que elas se sentiram mais isoladas e também mais depressivas, ansiosas e estressadas. Houve uma sobrecarga no trabalho, mas principalmente sobrecarga nos trabalhos domésticos.  

Das 5 mil pessoas participantes, 24% das mulheres indicaram sintomas de depressão, em comparação com 17% dos homens. Outros 20% declararam sintomas de ansiedade, quase o dobro dos homens (11%). A pesquisa concluiu que as mulheres realizaram pelo menos 4 horas e meia a mais de trabalho doméstico que homens. 48% dos participantes afirmou que a carga de trabalho em home office foi maior que antes da pandemia e que não podiam controlar os horários de intervalos, bem como o horário de começar e terminar as atividades, bem como os dias trabalhados.  

A insônia também foi um aspecto que afetou mais mulheres que homens, cerca de 29,6% das mulheres afirmou passar por isso.  Outras 6,6% afirmaram que voltaram a beber ou fumar durante o período.