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Volta ao trabalho presencial: distúrbios psicológicos se multiplicam por conta da Covid-19

Mais da metade dos trabalhadores entrevistados em vários países pela empresa de seleção Hays afirmaram que a pandemia teve um impacto negativo na qualidade de vida e bem-estar. Em pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 47,3% dos trabalhadores brasileiros foram afetados por sintomas de depressão e ansiedade por conta da pandemia.  

De acordo com novo relatório da Organização Mundial da Saúde, no novo Atlas de Saúde Mental, mostra-se um panorama de fracasso mundial na oferta de programa a trabalhadores que precisam de serviços de apoio à saúde mental. José de las Morenas, coordenador da Secretaria Geral da saúde do Trabalho da central sindical espanhola, a UGT, afirma que a verdadeira pandemia está por chegar: a da saúde mental.  

A Associação Internacional de Gestão do Estresse (International Stress Management Association – Isma) aponta que a Síndrome de Burnout atinge mais de 33 milhões de brasileiros e este número tende a aumentar. Porém, em países como Espanha, há um contraponto: a frustração na volta ao trabalho presencial. Trabalhadores se adaptaram ao trabalho em casa e voltar ao escritório está gerando um novo impacto na saúde mental.  

Em estudos da Universidade Autônoma de Barcelona, verificou-se 72 pesquisas mundiais dos últimos dez anos sobre o assunto e foi confirmado que, quando se trabalha em condições de baixo poder decisório sobre tarefas e também mais precários que a própria casa, a chance de cair em depressão é de 77%. Além disso, caso haja insegurança trabalhista, o número é de 71% para depressão e 77% para ansiedade. Isabel Aranda, membro do Conselho de Psicologia de Madri, diz que é um escândalo que estas doenças não sejam consideradas doenças trabalhistas. 

Vários trabalhadores no mundo todo se recusam a voltar ao trabalho no escritório, caso da Apple, por exemplo. Em pesquisa feita nos Estados Unidos, 44% preferem continuar trabalhando em casa, contra 39% que quer a volta ao trabalho presencial.  

Fonte: El País

Trabalhadores voltam a ter direito à justiça gratuita mesmo que percam ação

Mais uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras foi selada na última semana, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade dos artigos da Reforma Trabalhista de 2017 que alteravam as regras para o acesso gratuito à Justiça do Trabalho. Por 6 votos a 4, os ministros decidiram que beneficiários da Justiça gratuita não devem pagar por honorários advocatícios caso sejam parte vencida.

O julgamento ocorreu depois que a Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou, ainda em 2018, a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5766, afirmando que os dispositivos representariam “restrições inconstitucionais à garantia de gratuidade judiciária aos que comprovem insuficiência de recursos, na Justiça do Trabalho”. Na época, o julgamento foi paralisado depois que o ministro Luiz Fux pediu vistas.

Na última semana, o presidente da Corte proferiu seu voto, concordando com o relator, ministro Luís Roberto Barroso, para quem as modificações têm o objetivo de reduzir o excesso de ações. “Esses dispositivos não vedam o acesso à Justiça, eles geram uma externalidade positiva de desincentivo a demandas frívolas”, afirmou Fux durante a leitura do voto, que foi acompanhado por Gilmar Mendes e Nunes Marques.

No entanto, a maioria dos magistrados discordou. “Entendo que há integral e completa inconstitucionalidade.(…) Não se pode deixar de ressaltar que a gratuidade da Justiça apresenta-se como um pressuposto para o exercício do direito fundamental ao acesso à própria Justiça”, justificou Edson Fachin, o primeiro a votar contra a legislação, ainda em 2018. Na última semana, o entendimento foi acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Mantido pagamento de ausentes – Ainda que tenha concordado quanto à inconstitucionalidade do pagamento, o ministro Alexandre de Moraes fez uma ressalva se colocando a favor do pagamento dos honorários no caso de falta sem justificativa da parte reclamante na audiência do processo na Justiça Trabalhista. O mesmo entendimento foi seguido pela ministra Cármen Lúcia e pelo ministro Dias Toffoli. A gratuidade na Justiça trabalhista é um benefício a que tem direito o trabalhador cujo salário seja igual ou inferior a 40% do teto de benefícios do INSS (6.433,57 reais).

Você precisa saber

Empresa demite 150 funcionários por decisão de algoritmo

Para a filial russa da empresa Xsolla, com sede em Los Angeles (EUA), a produtividade dos funcionários pode ser medida por algoritmos (fórmulas calculadas pelo computador) que definem quem fica e quem é demitido. Foi o que aconteceu com 150 empregados nas cidades de Perm e Moscou, que foram mandados embora sem aviso prévio ou outra justificativa além da avaliação do software que os julgou “pouco comprometidos” ou “improdutivos”.

Para o CEO da empresa, a máquina está errada: apesar de acatar a decisão, diz que a maioria dos demitidos eram “bons profissionais” e, por isso, se ofereceu a ajudá-los a encontrar outras colocações.

Essa não é a primeira vez que o algoritmo decide o futuro de trabalhadores.

ONU premia MST por atuação na defesa dos trabalhadores

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu reconhecimento internacional na última semana pelo trabalho que desenvolve desde 1984 na garantia de condições dignas de vida e de trabalho para o povo brasileiro, em especial os trabalhadores rurais. Além disso, durante a pandemia, doou mais de 5 mil toneladas de alimentos e cerca de 1 milhão de marmitas, plantou mais de 1 milhão de árvores em todo país e, no último mês, construiu mais de 100 viveiros da Reforma Agrária Popular, com o objetivo de impulsionar a produção de mudas e plantio de árvores.

A organização foi uma das cinco escolhidas, entre centenas que lutam por justiça social, para receber o prêmio Esther Busser Memorial Prize em cerimônia virtual realizada no último dia 22. O prêmio é idealizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência multilateral da Organização das Nações Unidas (ONU), sediada em Genebra.

Análises

Profissionais da Saúde – Suspensão da Cassação

Por Marília Pacheco Sipoli, do escritório Advocacia Scalassara e Associados

O artigo fala sobre a suspensão da cassação da aposentadoria para trabalhadores da área da saúde que tiverem voltado à ativa no combate à Covid-19, em caráter excepcional, o que isso significa e quem tem direito. O entendimento vale enquanto vigorar a Lei Federal n° 13.979/2020, que dispõe sobre as medidas de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus. Continue lendo

ADI nº 5.766: STF garante o acesso dos mais pobres à Justiça do Trabalho

Por Antonio Fernando Megale Lopes e Ricardo Quintas Carneiro, do escritório LBS Advogados

O artigo aborda o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5766, ocorrido na última semana no Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu o direito dos trabalhadores e trabalhadoras ao acesso gratuito à Justiça. O texto faz um breve histórico do tema e revisa os votos dos ministros que definiram a extinção da regra imposta pela Reforma Trabalhista de 2017. Continue lendo

Antes de sair…

Eventos

  • Entre hoje e amanhã (26 e 26/10) o 2º Congresso Ebradi reúne especialistas para discutir as reformas legislativas e seus impactos no Direito.
  • Também hoje, às 19h, advogadas debatem 15 anos da Lei Maria da Penha, a aplicabilidade das leis e seus efeitos na sociedade.
  • Segue até quarta-feira, 28/10, o I Congresso Brasileiro de Direito Condominial em formato online.
  • Webinar discute transparência e cidadania fiscal na América Latina no dia 28/10, às 14h.
  • O webinar de lançamento da pesquisa “Percepções sobre as relações de gênero” convida à reflexão sobre as consequências do silenciamento das estudantes no ambiente acadêmico, dia 29/10, às 10h.

Dicas culturais

  • Música: Marisa Monte e Jorge Drexler lançaram dia 15/10 a primeira parceria da dupla, o single “Vento Sardo”, faixa inédita do álbum “Portas”, que já está disponível nas plataformas digitais.
  • Cinema: segue até 3/11 a tradicional Mostra Internacional de Cinema, em formato híbrido, com apresentação de 265 títulos de vários países.
  • Literatura: amanhã, 27/10, tem roda de leitura “Um dedo de poesia”, com a advogada, teatróloga, roteirista de cinema e autora de telenovelas Leila Míccolis.
  • Teatro: o musical infantojuvenil “Cabelos arrepiados”, da Buia Teatro Company, de Manaus (AM), pode ser visto online até 4/11.

Desconhecida paga por alimentos que mãe sem dinheiro pegou e prometeu devolver em Santa Catarina

Uma história que tinha tudo para ser só triste, e o reflexo do momento de insegurança alimentar que ronda os lares brasileiros, teve um desfecho que nos enche de esperança. Uma pessoa desconhecida deixou 20 reais em dinheiro para pagar a conta de uma mãe desesperada que retirou alimentos de um trailer que funciona sem atendente na BR-470, no Vale do Itajaí (SC).

A repercussão do caso da mãe que levou comida para a família sem pagar, prometendo devolver quando tivesse condições, foi grande e, na mesma semana, a desconhecida deixou o dinheiro para cobrir a conta e um bilhete onde explicava o destino da cifra. O empresário Renato Lagatta, dono do trailer onde funciona o Dr Honesto, se emocionou com o gesto. “É uma rede do bem muito bonita. São pessoas preocupadas com pessoas. Isso tudo é prova de honestidade do nosso povo”, disse.

O projeto existe há dois anos e também tem cunho social, pois todo o dinheiro arrecadado com a comercialização dos alimentos é revertido para uma casa de apoio a pessoas em situação de rua. Ele se baseia na honestidade dos clientes – tem dado certo: como não há atendente, os clientes retiram os alimentos e deixam a quantia relativa ao produto no local.

Desigualdade no Brasil caiu entre 2002 e 2015, aponta pesquisa do Insper

Estudos feitos por economistas do Insper mostrou que a diferença na distribuição de recursos diminuiu entre 2002 e 2015. Segundo a pesquisa, todas as fatias da população brasileira (dividida em cem partes iguais, chamada de centésimos da distribuição) que estão abaixo dos 29% mais ricos tiveram crescimento na renda acima da média nacional de 3%. 

As fatias da população acima deste recorte tiveram um crescimento entre 2,4% e 2,9%, um pouco abaixo da média do país. O estudo trouxe o índice de Gini, métrica que vai de 0 (que refletiria hipoteticamente uma sociedade na qual os recursos são igualmente distribuídos) e 1 (também hipotético, que indicaria o extremo de desigualdade).  

Contando com os cálculos de Gini, o Brasil teria ido de 0,583 em 2002 para 0,547 em 2017. De acordo com pesquisadores economistas, o resultado seria a saída de mais d 16 milhões de brasileiros da pobreza neste período.  

Veja o estudo completo na Folha.

STF derruba artigos da reforma trabalhista que previam alteração na gratuidade da Justiça do Trabalho

Por 6 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (20) pela inconstitucionalidade em dispositivos da reforma trabalhista de 2017 que fariam com que beneficiários da Justiça gratuita pagassem por honorários advocatícios sucumbenciais, caso fossem parte vencida.  

A ação havia sido apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) questionando as mudanças feitas pela reforma trabalhista, que determinou que pessoas que têm direito à justiça gratuita deveriam arcar com honorários de advogados e peritos, se perdessem ação trabalhista. Os valores seriam bloqueados de créditos obtidos em outros processos.  

O STF, por 7 votos a 3, decidiu manter a cobrança do pagamento das custas processuais em caso de ausência injustificada na audiência.  

A maioria dos ministros seguiu o entendimento do voto do ministro Edson Fachin, que declarou que as regras feriam o direito fundamento de acesso à justiça para os trabalhadores. Trabalhadores que recebam salário igual ou inferior a 40% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social têm o acesso à justiça gratuita concedido.  

Algoritmo decidiu a demissão de 150 pessoas por critério de “produtividade”

Em agosto deste ano, por recomendação de uma inteligência artificial, uma empresa demitiu 150 funcionários, de um total de 450 trabalhadores.

A Xsolla, filial russa de uma empresa de software e serviços tecnológicos com sede em Los Angeles, estava fazendo uma restruturação na equipe e, sem aviso prévio, demitiu 150 funcionários de escritórios russos nas cidades de Perm e Moscou. As demissões foram feitas seguindo recomendações de um algoritmo de eficiência e produtividade no trabalho que considerou estes trabalhadores “improdutivos” ou “pouco comprometidos”. 

Não houve outra justificativa além do julgamento do algoritmo que captava informações dos trabalhadores. De acordo com o CEO da empresa, Alexader Agapitov, em declaração à revista Forbes, era obrigado a acatar a decisão devido a protocolos internos decididos por acionistas, mesmo que não concordasse com isso. Agapitov se ofereceu a ajudar os trabalhadores demitidos a encontrarem novos empregos, porque, em sua opinião, a maioria deles são “bons profissionais”. 

A Xsolla não é a primeira empresa a usar de inteligência artificial para decidir a permanência ou demissão de funcionários. A própria Amazon já faz isso. Jeff Bezos afirma que as únicas decisões imprescindíveis de serem tomadas por seres humanos são as “estratégicas”, outras decisões “ordindárias” podem ser feitas por algoritmos. 

ADI que questiona teto para indenizações trabalhistas volta ao Supremo

 

Entre os diversos ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras que a Reforma Trabalhista de 2017 trouxe está a fixação de um teto para concessão de indenizações por danos morais, com a desculpa de que juízes decidiam o montante das indenizações a bel prazer e que existiam “máfias” de danos morais. Nesta quarta-feira (20) o assunto volta à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Supremo julgará a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5870, ajuizada pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que questiona os artigos 223-A a 223-G da Consolidação das Leis Trabalhista (CLT). O texto limita as cifras das indenizações pedidas por trabalhadores por danos morais entre três e cinquenta vezes o último salário do ofendido, a depender da natureza da ofensa.

Para a Anamatra, a legislação não pode limitar o trabalho dos juízes, impedindo o Poder Judiciário de estabelecer um montante justo que repare o dano causado ao trabalhador. “A restrição ao ofício judicante viola a independência dos juízes para julgar as causas e aplicar a lei de acordo com o texto constitucional e com suas convicções”, defende. Ainda segundo a entidade, ao fixar o teto indenizatório com base no salário do ofendido, viola-se o princípio constitucional da isonomia, pois a indenização decorrente de um mesmo ato seria diferente caso a vítima fosse um servente ou um diretor da mesma empresa.

Pautas trabalhistas

Também nesta quarta-feira (20) está prevista a continuação do julgamento da ADI 5766, ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), contra a alteração nas regras de gratuidade da justiça dos trabalhadores que comprovem insuficiência de recursos. A Ação pede que seja declarado inconstitucional o artigo 790-B da CLT (caput e parágrafo 4º), que responsabiliza a parte vencida pelo pagamento de honorários periciais, ainda que a parte vencida seja beneficiária da justiça gratuita.

Na prática, isso desestimula trabalhadores e trabalhadoras a ingressarem na Justiça contra seus empregadores por medo de ter de arcar com os custos caso percam a ação. Até o momento, a ADI tem dois votos contrários dos ministros Luiz Fux e Luis Barroso, para quem a regulação do direito à justiça gratuita ajudaria a frear a litigância abusiva; e um favorável, do ministro Edson Fachin, que defende que as restrições afetam um direito fundamental de acesso à Justiça e aos direitos sociais dos trabalhadores.

Você precisa saber

Acúmulo de tarefas faz mulheres sofrerem mais de Síndrome de Burnout do que homens

Um estudo feito pela plataforma de busca de emprego LinkedIn com cerca de 5 mil estadunidenses revelou o que muitas mulheres já estão literalmente cansadas de saber: o acúmulo de tarefas com trabalho e demandas domésticas fez com que 74% das entrevistadas relatassem se sentir muito ou razoavelmente estressadas, enquanto 61% dos homens disseram o mesmo.

Se elas forem mães e trabalharem fora ao mesmo tempo, têm 23% de chance a mais de sofrerem de Síndrome de Burnout – distúrbio emocional causado por excesso de trabalho – do que homens na mesma situação. A estrutura social e o machismo afetam diretamente o processo, alertam especialistas.

Funcionários da JBS protestam contra ritmo de trabalho “desumano” na empresa

Cansados de trabalharem dobrado desde que 500 trabalhadores indígenas foram afastados por serem grupo de risco e outros 200 colegas estarem fora do trabalho por problemas de saúde, cerca de 500 funcionários da JBS cruzaram os braços por cerca de 40 minutos na unidade da empresa em Sidrolândia (MS). Mesmo após terem reclamado das condições de trabalho, a empresa não tomou providências e a paralisação foi a saída encontrada pelos empregados para serem ouvidos.

Considerada a maior companhia de proteína animal do mundo, com lucro de líquido de 4,4 bilhões de reais somente no segundo semestre deste ano, a JBS aceitou negociar a volta ao trabalho depois do episódio e, por meio dos gerentes de produção e recursos humanos da unidade, chamou cinco trabalhadores e dois diretores sindicais para conversar.

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Os Fins da Justiça do Trabalho

Por Nasser Ahmad Allan, Eduardo Surian Matias e Antônio Vicente Martins, da Rede Lado

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o artigo debate a finalidade da Justiça Trabalhista, que comemorou 80 anos de criação em maio deste ano. Surgida num período em que o Estado e a Igreja Católica pretendiam conciliar as classes sociais, os autores fazem um levantamento histórico e crítico para provocar o debate e a reflexão sobre o atual momento de desmonte de direitos conquistado ao longo das últimas oito décadas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com alterações na legislação, em especial na CLT. Continue lendo

Antes de sair…

Eventos

  • Começou ontem e vai até o dia 22/10 o webinar 4th Seminar Brazil-China Dialogue – Belt and Road & Brazil: Rules and Coordination com participação de especialistas do Brasil e da China.
  • A modulação de efeitos sob a ótica das últimas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em matéria tributária é tema de webinar que ocorre amanhã, 20/10, às 10h, com transmissão online.
  • A (Re)organização da carreira jurídica será tema do II Congresso Nacional de Coaching Jurídico, de 20 a 22/10.
  • Dia 22/10, às 9h, tem o encontro internacional “Justiça de transição: Cicatrizes de um passado presente” com transmissão pelo YouTube.

Dicas culturais

  • Cinema: estreia em novembro o longa-metragem “Marighella”, que traz no elenco Seu Jorge interpretando o guerrilheiro Carlos Marighella em seus últimos anos de vida.
  • Teatro: até 31/10 é possível assistir online ao espetáculo “Manual para Náufragos”, do coletivo Cena Expandida, de Porto Alegre (RS), no Festival de Teatro Virtual da Funarte.
  • Teatro 2: até 24/10 está disponível a versão online do espetáculo “Boquinha… E assim surgiu o mundo”, escrita por Lázaro Ramos.
  • Quadrinhos: segue até o fim do mês a exposição virtual e grátis “Banca de quadrinistas”, com trabalhos de 20 artistas.

Garoto de 6 anos se recusa a tirar máscara para fotografia e recebe 180 mil reais pela atitude

O filho que toda mamãe gostaria de ter, o pequeno Mason Peoples, de apenas 6 anos, foi literal ao obedecer o pedido que sua genitora fez antes de ele ir para a escola: tirar a máscara apenas para comer e quando não tivesse ninguém por perto. Nem mesmo no momento de tirar a foto para a escola onde estuda, na Virgínia (EUA), o garoto deixou de atender à recomendação.

“Estou tão orgulhosa por ele ter cumprido sua palavra, mas eu deveria ter sido mais clara sobre as regras desse dia [da foto]”, brincou a mãe ao postar a imagem do garotinho em sua página nas redes sociais. A imagem correu o mundo e viralizou em poucos dias.

Agora, Mason virou uma referência infantil no cumprimento aos protocolos de prevenção à Covid-19. Por isso, diversas pessoas escreveram para a mãe dele pedindo se poderiam recompensá-lo pela boa conduta. Ela criou, então, uma vaquinha on-line que já havia arrecadado mais de 33 mil dólares (cerca de 180 mil reais) até o último dia 3 de outubro. O dinheiro deve ser usado para pagar a faculdade do menino no futuro.

STF volta a julgar a gratuidade do acesso à Justiça do Trabalho nesta semana

Na última quinta-feira (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a analisar uma ação em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona mudanças feitas na Reforma Trabalhista de 2017 sobre a gratuidade da Justiça para trabalhadores que comprovem insuficiência financeira. 

De acordo com as novas regras da reforma, mesmo o trabalhador que comprove incapacidade financeira terá que arcar com honorários de advogados e peritos caso perca a ação trabalhista. A lei prevê que valores podem ser bloqueados de outros processos e que, se faltar à audiência, o trabalhador também terá que arcar com os valores. 

Em 2018, o relator Luís Roberto Barroso votou a favor de manter a regra da reforma, afirmando que não existe desproporcionalidade e que a norma tem por objetivo restringir as judicializações excessivas das relações de trabalho.  

De acordo com o voto de Barroso, a cobrança não pode recair sobre verbas alimentares e nem exceder 30% do teto da previdência em casos de verbas remuneratórias.  

O ministro Luís Fux, que havia pedido vista, devolveu o processo à pauta e votou pela regularidade da lei. De acordo com o ministro, “houve uma redução sensível nos processos de feitos do trabalho”, desde que a regra começou em 2017.

Edson Fachin votou contra, sob o entendimento de que a norma fere o direito fundamental de acesso à Justiça. A previsão é que o julgamento continue ainda esta semana.  

Breque dos Apps: trabalhadores entrar em greve por melhores condições de trabalho

Trabalhadores de plataformas como iFood, Uber Eats e Rappi estão em greve em cidades do Estado de São Paulo; como Jundiaí, São José dos Campos, Paulínia e outras, reivindicando melhorias no trabalho, pedindo apoio em acidentes, fim de bloqueios indevidos, reajuste no valor das entregas e fim da coleta dupla (entregador recebe um valor por entregar dois pedidos). 

A paralisação começou no dia 8 de outubro e, de acordo com os entregadores, não terá dia para acabar enquanto os aplicativos não responderem às demandas. Os trabalhadores questionam o baixo valor da taxa mínima por corrida, que é R$ 5,31 no iFood. Em cidades como Jundiaí, o litro da gasolina ultrapassa os R$ 6. 

Em consequência da paralisação em São José dos Campos, o iFood e os trabalhadores paralisados se reuniram de forma inédita no dia 8 de outubro. A empresa se comprometeu a anunciar novas medidas. Em comunicado, o iFood afirmou que irá criar um “fundo combustível” de R$ 8 milhões, mas não detalhou como o valor será distribuído. Ademais, o fundo terá duração de dois meses, novembro e dezembro deste ano. Também anunciou um reajuste de 8% no quilômetro das rotas para quem usa moto.  

No cálculo, 8% equivale a 0,42 centavos a mais na taxa mínima para o entregador. Até agosto de 2021, o valor da gasolina aumentou 28%. Neste mês de outubro, houve um reajuste de 7,2% de aumento anunciado pela Petrobras.  

 

Mulheres sofrem mais de síndrome de burnout do que homens, aponta estudo

De acordo com pesquisa feita pela plataforma de busca de emprego LinkedIn, com cerca de 5 mil estadunidenses, 74% das mulheres afirmaram que estavam muito ou razoavelmente estressadas por motivos ligados ao trabalho, em comparação com 61% dos entrevistados do sexo masculino. Em paralelo, a consultora Great Place to Work junto da startup de saúde Maven, mostrou que mães com empregos remunerados têm 23% mais chances de sofrer com a síndrome de burnout do que pais empregados.  

Na pesquisa, cerca de 2,35 milhões de mulheres que trabalham fora nos EUA sofreram de esgotamento profissional, devido “às demandas desiguais da casa e do trabalho”. Os especialistas envolvidos na pesquisa reconhecem que a estrutura social e a misoginia são fatores que afetam diretamente o processo. Desigualdade no ambiente do trabalho são indissociavelmente ligadas aos papéis de gêneros.  

A Universidade de Montreal publicou em 2018 um estudo que durou quatro anos em que acompanharam mais de dois mil trabalhadores. Concluiu-se que mulheres eram mais propensas a sofrer com a síndrome de burnout do que homens, pois, além de terem menos chances de serem promovidas, ainda lidavam com questões domésticas e cuidados com os filhos.  

Fonte: BBC News 

Trabalhadores cruzam os braços por 40 minutos contra ritmo “desumano” na JBS

Cerca de 500 trabalhadores da JBS – Seara em Sidrolândia (MS) cruzaram os braços por cerca de 40 minutos na quarta-feira (06) em protesto ao aumento do ritmo de produção. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carnes e Aves da Sidrolândia (Sindaves), Sérgio Bolzan, relatou que os trabalhadores estavam reclamando há dias, mas a gerência não tomou providências, então “os trabalhadores largaram o trabalho, saíram da sala de corte e vieram ao saguão”, afirma. 

Após a paralisação, o gerente de produção e o gerente de recursos humanos da unidade chamaram cinco trabalhadores e dois diretores sindicais para negociarem a volta ao trabalho.  

A JBS é a maior companhia de proteína animal do mundo e registrou no segundo semestre deste ano um lucro de líquido de R$ 4,4 bilhões, 29,7% a mais do que no mesmo período em 2021, o maior lucro trimestral da história empresa. 

O frango abatido e desossado no frigorífico de Sidrolândia é exportado para o Japão, União Europeia e China. Durante a pandemia, mais de 500 indígenas que trabalhavam na JBS foram afastados por serem grupo de risco, mas o ritmo de produção não diminuiu. A unidade de Sidrolândia tem cerca de 1700 empregados, 200 trabalhadores estão afastados pelo INSS – cerca de 1 a cada 10, de acordo com o Sindaves. A maioria por conta de lesões por esforço repetitivo.  

Foto: MPT